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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Maternidade: entre a realização e a culpa

A culpa parece ser o sentimento mais comum na modernidade. Já disse nesse blog que pode parecer um contrassenso, visto que o hedonismo apregoado e cultuado nos dias atuais pressupõe uma consciência acomodada, ou seja, livre de princípios que possam atentar contra a regra básica: seja feliz! Entenda o seja feliz por: curta a vida, aproveite bem as benesses e livre-se dos incômodos.


No entanto, essa mesma sociedade nos cobra muito, espera de nós determinadas atitudes. No caso das mulheres: tenha uma carreira, ganhe seu dinheiro, seja independente economicamente, tenha sua casa, seu carro, faça faculdade, mestrado e doutorado. Para que isso ocorra use toda a força da sua juventude!

O que ocorre é que nessa busca nos deparamos com nossos anseios e com nosso próprio ser. Também encontramos outras histórias e outras pessoas que mudam a nossa história, a nossa trajetória. É aqui que começa o sofrimento: como conciliar tudo o que eu sempre pensei ser O importante, tudo o que esperam de mim e ainda incluir novas prioridades? E mais, como incluir o que realmente importa, aquilo que de fato me realiza?

Bem, vamos conversar um pouco sobre isso, vamos tratar de encontrar meios de reformular nossas prioridades e de nos realizarmos enquanto mulheres. E faremos isso de modo pleno, preservando nossa essência, quanto mais conhecermos o ambiente que nos cerca e nossa própria condição de mulher no mundo.

Nas próximas postagens vamos iniciar falando sobre maternidade e trabalho.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sem culpa, nem desculpa

Parece um contrassenso, mas existe muito complexo de culpa na sociedade contemporânea. Culpa e medo. Isso é contraditório porque vivemos numa sociedade que idolatra o prazer, o conforto e que acredita numa liberdade sem fronteiras, Numa liberdade sem moral. E por isso nos sentimos culpadas, muito culpadas quando queremos algo que segue na contramão do hedonismo, do “moderno” e também do politicamente correto.

É nesse contexto que encontramos a maternidade hoje. Pressionada entre o medo e a culpa. Medo de perder todas as comodidades e todas as glórias que, segundo nos contam, apenas poderão ter aquelas que abdicarem ou ao menos adiarem o quanto puderem essa “incômoda” aventura. Culpa por continuar desejando e querendo algo que acredita que pode lhe completar e dar sentido a vida. Culpa também por acreditar que se tiver um filho, ou mais um, vai tornar mais pobre o mundo em que eles viverão. Ou talvez porque teve um filho muito cedo e agora todos dizem que a esperança no futuro acabou, entre fraldas sujas e mamadeiras, entre papinhas e noites em claro... Estes são apenas exemplos, quantos mais poderiam aparecer em uma conversa de amigas, não é verdade?

Vamos, pois, refletir um pouco sobre isso. Sobre a complexidade das relações que são ignoradas nessas assertivas tão rasas sobre a maternidade e o processo das nossas escolhas que cercam esse momento. E vamos falar sobre as personagens das histórias do nosso cotidiano. Encaremos as questões que são levantadas, em geral, de forma inconsistente e acabaremos por descobrir que nos escondemos atrás do medo e da culpa, para nos eximirmos de decidir de modo maduro sobre questões tão sérias como a que trataremos nesse espaço.

Este é um convite a reflexão, a um exame sincero da maternidade e suas implicações no universo feminino e, por consequencia, na sociedade.