sábado, 6 de fevereiro de 2010

Quando ou Como?


Maternidade não é um momento na vida da mulher. A maternidade precisa ser encarada de forma abrangente para ser efetiva, ou seja, é necessário vivê-la muito antes do nascimento dos filhos. Somos mães porque somos mulheres, a natureza de nossas relações é maternal! Desde a forma como nos comunicamos com o mundo até o modo cuidadoso como escolhemos uma roupa ou mesmo nossa profissão. Do modo como cuidamos de nossos irmãos ou amigos até como sorrimos para um novo dia!
Então por que nos preocupamos tanto com o quando? Por que essa questão nos atormenta?
Simples. Porque na cultura ocidental contemporânea aprendemos a nos ver de modo segmentado. Tudo é tão abstrato que vivemos como se pudéssemos nos compartimentar, como se pudéssemos congelar determinadas características para apenas despertá-las quando for mais conveniente aos nossos interesses ou quando não pudermos mais adiar o confronto com elas.
A pergunta fundamental é como vamos viver a nossa maternidade. Desde muito pequenas nós fazemos isso, só precisamos tornar nossos gestos conscientes sem fazer disso uma pedra de tropeço. Precisamos nos aceitar e viver a cada dia como realmente somos: mulheres!
Viver a maternidade não é ter um filho. Porém podemos afirmar sem rodeios de que a mãe que seremos para nossos filhos depende da mulher que somos em todos os âmbitos muito antes de que pensemos em ter um filho.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ostenta que és mãe!

Nos dias atuais temos dificuldade para definir o que somos, pois confundimos o nosso ser com aquilo que fazemos. Costumamos perguntar às crianças: “o que você vai ser quando crescer?” Quando na verdade queremos saber o que ela pretende fazer, que atividade ela pretende desempenhar na sociedade. Isto é revelador no que tange ao comportamento social relacionado ao status. É costume na sociedade atual valorizar a pessoa pelo que ela faz, porque existe uma relação entre fazer e produzir. Produzir não apenas compreendido no sentido econômico estrito, mas também como forma de retribuição social, como contributo para a “construção de um mundo melhor”.

Ao compararmos este modo de pensar com aquele que mede o valor da pessoa proporcionalmente ao que ela possui, pode nos parecer um avanço, mas não é. Tanto num caso como noutro a dignidade da pessoa humana e, por vezes, até mesmo a própria condição humana está dada por algo externo, alheio a sua essência. Aqui encontramos uma questão interessante relacionada à identidade. Ao nos definirmos pelo que fazemos limitamos a realização da nossa existência ao trabalho, ao ativismo, ou a qualquer outra ocupação que nos pareça nobre.

É por isso que nos parece tão difícil o dilema: maternidade versus carreira. Aparentemente estamos tratando de coisas que estão no mesmo patamar, porém o exercício de uma profissão, ainda que traga algum sentimento de realização pessoal, não é capaz de satisfazer nossa humanidade. Para tanto necessitamos levar à plenitude a nossa essência, permitir que nossa natureza feminina transcenda a própria existência e supere todo o egoísmo. Isto é o que a maternidade nos proporciona! E é isto que a sociedade necessita de nós: que não tenhamos medo, nem vergonha de ser o que somos! Mulheres, mães! Portanto, ostenta que és mãe e seja feliz!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Justa Homenagem

À Minha Mãe - In Memoriam

Parece que foi ontem... É assim que nos sentimos ao relembrar a infância, os tombos, as travessuras, o colo da mãe. Eu ainda lembro os “temas” que minha mãe conferia e me ajudava a fazer. Das vezes em que ela me amou tanto ao ponto de decepcionar-me com um não. Dos momentos nos quais o simples fato de saber que ela estaria presente era suficiente para que eu fizesse o meu melhor. Aprendi muito com ela. Recebi muito dela. Se me pedissem para defini-la com uma palavra eu diria: amor!

Parece clichê? Pois é, a vida é assim. Esforçamo-nos tanto para sermos “espontâneos” e “originais” que nos esquecemos de sermos autênticos, verdadeiros. Nenhuma outra palavra deste ou de outro idioma poderia descrever com tanta exatidão a vida e a pessoa da minha mãe. Em parte porque ela viveu para amar os filhos. Sempre ouvi dela que se pudesse teria dez filhos. Mas também porque ela descobriu o motivo pelo qual somos capazes de amar, ainda que tenha sido no entardecer da vida.

Ela faleceu no dia 24 de setembro de 2008. Era uma quarta-feira, estava um pouco chuvoso, um pouco frio. Acordei cedo e liguei para o hospital, meu padrasto me disse que era melhor ir logo para lá, a médica havia examinado minha mãe e disse que o coração era o único órgão que estava funcionando. Quando desliguei o telefone me lembrei das últimas palavras que ela havia me dito um dia antes: “Coragem, Rosy, Coragem”!

Aquele foi o dia em que mais precisei dessas palavras. Precisei de coragem para contar ao meu irmão de nove anos que a mamãe havia falecido. Precisei de coragem para escolher a roupa para vesti-la. Coragem para romper o silêncio das lágrimas com a oração do terço. Coragem, coragem... Ela me ensinou a amar e o amor é o sustento da coragem! Foi o que descobri naquele dia. Nos dias que se sucederam meditei muito e percebi que o encontro mais importante da nossa existência é o encontro com o Amor.

Não poderia dividir com vocês tudo o que meditei sobre isso, mas posso resumir, utilizando as palavras de Santo Agostinho:

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova!
Tarde demais eu te amei!
Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!
Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas.
Estavas comigo, mas eu não estava contigo.
Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem.
Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez.
Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira.
Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti.
Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz...

Sinto saudade do seu colo, mas suas palavras ainda me consolam.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sem culpa, nem desculpa

Parece um contrassenso, mas existe muito complexo de culpa na sociedade contemporânea. Culpa e medo. Isso é contraditório porque vivemos numa sociedade que idolatra o prazer, o conforto e que acredita numa liberdade sem fronteiras, Numa liberdade sem moral. E por isso nos sentimos culpadas, muito culpadas quando queremos algo que segue na contramão do hedonismo, do “moderno” e também do politicamente correto.

É nesse contexto que encontramos a maternidade hoje. Pressionada entre o medo e a culpa. Medo de perder todas as comodidades e todas as glórias que, segundo nos contam, apenas poderão ter aquelas que abdicarem ou ao menos adiarem o quanto puderem essa “incômoda” aventura. Culpa por continuar desejando e querendo algo que acredita que pode lhe completar e dar sentido a vida. Culpa também por acreditar que se tiver um filho, ou mais um, vai tornar mais pobre o mundo em que eles viverão. Ou talvez porque teve um filho muito cedo e agora todos dizem que a esperança no futuro acabou, entre fraldas sujas e mamadeiras, entre papinhas e noites em claro... Estes são apenas exemplos, quantos mais poderiam aparecer em uma conversa de amigas, não é verdade?

Vamos, pois, refletir um pouco sobre isso. Sobre a complexidade das relações que são ignoradas nessas assertivas tão rasas sobre a maternidade e o processo das nossas escolhas que cercam esse momento. E vamos falar sobre as personagens das histórias do nosso cotidiano. Encaremos as questões que são levantadas, em geral, de forma inconsistente e acabaremos por descobrir que nos escondemos atrás do medo e da culpa, para nos eximirmos de decidir de modo maduro sobre questões tão sérias como a que trataremos nesse espaço.

Este é um convite a reflexão, a um exame sincero da maternidade e suas implicações no universo feminino e, por consequencia, na sociedade.